Secovi – Junho 2011

Os palavrões, tão comuns nos jogos de futebol na quadra do prédio no fim de semana, podem ter uma consequência mais séria. Condomínios começam a multar os moradores “bocas-sujas”. “Quando dói no bolso, o problema se resolve”, disse à Folha de S.Paulo Antônio Gleyton, síndico de um prédio na capital paulista.

O Grupo Light, que administra condomínios, contabiliza que, das 7.380 multas e advertências aplicadas no ano passado, 31% foram pelo mau uso das quadras, especialmente pelo uso de palavrões.

Na Justiça

Em um dos casos, o morador foi multado no valor equivalente a um condomínio (cerca de R$ 600). Ele recorreu à Justiça alegando que não disse nada impróprio e pediu ainda indenização por danos morais de R$ 3,5 mil. O processo está tramitando.

Para valer, as mudanças no regimento interno do prédio precisam ser aprovadas pela assembleia, que deve estabelecer como vai funcionar a punição.

A regra é clara

Uma alternativa à aplicação de multas é incorporar a proibição de falar palavrões às regras do jogo.

Foi o que aconteceu em um condomínio na Barra da Tijuca, no Rio. Os jogadores criaram uma nova regra: palavrão é falta.

Segundo o combinado, cada vez que um jogador for “boca-suja”, seu time será punido. A regra aparece em placas espalhadas pelo campo de futebol do prédio. Os moradores que defendem a punição a quem fala palavrões argumentam que as crianças devem ser poupadas de ouvir as expressões chulas. “É um exagero de cuidado e controle”, rebate Maria Letícia Nascimento, da Faculdade de Educação da USP.