Folha de S Paulo – Maio 2011

No meio da partida de futebol, na quadra de um prédio da zona sul da capital paulista, o morador soltou um rotundo ‘filho da puta’.

Vizinhos reclamaram com o zelador, que repassou à administradora que, depois de confirmar a cena pelo circuito interno do prédio, multou o boleiro em cerca de R$600,00 valor de um condomínio.

“os vizinhos já são obrigados a ouvir a gritaria do jogo, não precisam ouvir palavrão também. Principalmente para as crianças”, diz Silvia Carreira, sócia do Grupo Light, que administra aquele prédio.

O morador, que não foi identificado, recorreu à Justiça alegando que não disse nada impróprio. Pediu ainda indenização por danos morais de R$3500,00. O processo está tramitando.

Do total de 7.380 multas e advertências aplicas pelo Grupo Light em 2010, 2.287 (31%) foram pelo mau uso das quadras esportivas – questão que só perde para o uso indevido dede garagens.

Em 2010, foram 229 multas e advertências aplicadas por conta de palavrões. Segundo Silvia, a maioria dos 149 condomínios administrados por sua empresa já adotou a norma de multar o morador “boca-suja”. A mudança no regimento interno passa por assembleia. Foi o que aconteceu num condomínio no Tatuapé inaugurado há três anos. Desde a convenção, já estava prevista a proibição das palavras de baixo calão – tanto nas quadras quanto dos torcedores exaltados, que gritam à janela em dia de jogo. Neste ano, foram aplicadas quatro multas. A última, em abril, custou R$380,00 ao jogador que lascou um “vai tomar no…” no meio da pelada. Ele foi advertido verbalmente, por escrito e, por fim, depois de repedir o xingamento pela terceira vez, teve que pagar. As câmeras do prédio não registram áudio, então quando já queixa, um segurança observa o jogo e é ele que testemunha contra o infrator.